Digam ao Mundo o que Fazem...
Já que estou a trabalhar no turno da noite (que aparentemente se perspectiva calmo), aproveitei para ler um artigo que andava por aqui esquecido no aglomerado de papéis e revistas… Intitula-se: Digam ao Mundo o que é que fazem! Direccionado obviamente para a profissão da enfermagem, este artigo deixou-me altamente transtornada, diria mesmo… perplexa…!
Vou deixar aqui dois excertos que acho de extrema importância que sejam lidos por enfermeiros, médicos e outros membros da equipa multidisciplinar.
“Raramente se dá às enfermeiras crédito para confiar no seu próprio conhecimento e capacidades de ajuizar. Muitas pessoas crêem que todos nos cuidados de saúde – incluindo a enfermeira – seguem as ordens do médico”.
Não sei não, mas cá para mim as pessoas devem acreditar que existe uma espécie de linha invisível entre o cérebro do médico e o cérebro da enfermeira, e depois é tudo simples: a enfermeira actua consoante o que lhe é transmitido telepaticamente pelo médico… (Ah é verdade, além das cadeiras normais na faculdade aconselho vivamente os meus colegas a fazerem parapsicologia para se poderem consagrar médiums…)!
“Muitas enfermeiras dizem que receiam irritar os médicos e, por isso, não transmitem a sua opinião ou falam acerca do seu trabalho. Algumas vezes os médicos actuam de forma muito agressiva para silenciar as enfermeiras e pô-las no seu lugar. Outras vezes as enfermeiras silenciam-se a si próprias quando os médicos não têm razão de queixa ou podem ser um elemento de apoio”
Vamos lá por partes: mas passámos 4 anos das nossas vidas a levar com teorias da “treta”, com livros, práticas, exames, trabalhos, etc., para chegarmos a um hospital e termos medo de irritar um médico? Vamos deixar que nos encostem a um canto quando somos nós que estamos 24 horas dos nossos dias perto dos doentes? Vamos silenciar-nos perante um médico que tem connosco atitudes agressivas e abusivas? Diria mesmo que a Florence Nightingale deve andar às voltas no caixão…!
Com Alma & Coração


No dia 11 de Fevereiro, os portugueses vão votar a despenalização da interrupção voluntária da gravidez até às 10 semanas de gestação. Uma coisa é ser a favor ou contra o aborto. Outra coisa é ser a favor ou contra a descriminalização do aborto.



